Saturday, July 4, 2015

O QUE SIGNIFICA SER CRISTÃO - XX

“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céu” (Mt 5.10). Ao proferir a quarta bem-aventurança, Jesus falou sobre os que tinham fome e sede de justiça. Aqui ele se refere aos que são perseguidos por causa da justiça, isto é, perseguidos pelo fato de serem justos. Isto está um passo acima da quarta bem-aventurança, pois uma coisa é sentirmos fome e sede de justiça, e outra é vivermos de tal forma em justiça, ao ponto de sofrermos perseguições por causa disso. Ter fome e sede de justiça é um sentimento interno, que provém de um coração transformado inteiramente pelo poder do Espírito Santo de Deus. Essa transformação se traduz numa vida justa, é a partir daí que certamente passaremos a sofrer. Não por agirmos com má fé, ou com má intenção no coração, mas sim de maneira inteiramente justa. A justiça, segundo Deus, é diferente da humana e quase sempre contraria sentimentos e opiniões. Até mesmo de pessoas que se dizem nossas amigas ou irmãos, as quais esperam que nós venhamos a agir com relação a elas de modo a agradá-las, e quando isso não acontece, portam-se piores que inimigos e começam a nos perseguir. Mas este é apenas um aspecto da questão, a qual envolve muitos outros. O problema é que, às vezes tão grave, que mesmo colegas de ministério, no afã de verem seus interesses pessoais atendidos, quando contrariados por uma atitude perfeitamente justa, revoltam-se e começam a perseguir os outros. Não sei como essas pessoas vão poder explicar este tipo de procedimento ao Senhor nosso Deus, no dia em que forem chamados à Sua presença. O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, adverte: “E na verdade todos os que desejam viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Tm 3.12). O que estaria Paulo querendo dizer com isso? Certamente ele já tinha bastante experiência nessa área, pois tendo sido ele próprio um perseguidor dos justos, agora sofria na carne o peso da perseguição, pelo simples fato de viver na justiça de Deus. Paulo podia falar de Himeneu e Fileto, Demas, Alexandre o latoeiro, e outros que o abandonaram por querer ele viver no centro da justiça de Deus, passando a persegui-lo depois disso. Por não depender das ofertas das igrejas, teve seu nome enlameado com acusações, mas diante de todos, sempre provou sua integridade (1Co 4.9-13; 9.1-27). Minha vida pessoal, desde que Deus me enviou para o campo missionário tem sofrido todo tipo de ataques que você possa imaginar. Às vezes, por mais absurdo que pareça, sou levado a concordar com um pastor amigo meu que quando se depara com verdadeiros absurdos no meio do povo cristão diz desta forma: “isso nem o Diabo tem a capacidade de imaginar e fazer”. Mesmo vivendo na África e, já tendo passado junto com a minha família por provações terríveis, ainda hoje sou objeto de campanhas difamatórias e investigações promovidas por colegas que deveriam cuidar melhor da sua vida e do seu rebanho.

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